Reflexão em Essência Compartilhada

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011


Pela Janela da Alma 2


foto de meu acervo particular

   Chega na hora combinada , mas não há ninguém esperando... já havia se preparado para não esperar nada.
   Ir ao lugar em que se encontra, faz parte de sua sina de tal forma que é como profecia  apenas sendo cumprida.
Ainda que o encontro dos olhos não se dê, o encontro das almas já é fato consumado.
Mesmo que o físico não revele, em algum lugar acima das cabeças dos mortais que circularam por onde o espaço físico é ocupado, os  dois já estarão em alma enlaçadamente juntos.
Esse tempo onde o relógio conta ou melhor, que marca tortuosamente as vinte quatro horas em tortuosos minutos e segundos... tic tac...
nesse universo das almas, ele não impera. 
Por isso a estadia ali no espaço físico será como sempre foi em todas as vezes que lá estivera.
Mundo estranho esse, onde o seres passam uns pelos outros e não se olham, não se falam, nem se apercebem o quanto tudo é absolutamente finito. 
Da última vez que ali estivera, antes da destruição o quadro era o mesmo:
as crianças brincavam ali daquele lado mesmo, perto do coreto, mas de novo fizeram um parquinho para brincarem e a esquerda  uma academia laboral . Apesar de ser um outro tom e a geração ter avançado, as cascas são exatamente iguais: o menininho de azul com o nariz escorrendo usa igualmente a camisa pra limpar.
A  meninha maior, sentada chora tentando dar ordens ao grupo que não obedece pois o tamanho não lhe garante domínio sobre os outros. 
Até a avozinha na cadeira de rodas que faz croché parece a mesma, mas não é. E nenhum deles é, apenas são componentes dessa biosfera cotidiana que como que impressa se repete e repete. Algumas coisas estão diferente... é em verdade, toda praça tinha uma outra cor que já não lembra qual. Só que agora os tons são em verde, talvez pela esperança que renasceu depois da destruição, ficou bonito verde, mas em vários tons por toda parte. A  praça que sempre fora bela, agora é belamente mais serena em tons de verde com lindos canteiros de flores do campo que ainda não tiveram tempo para florescer, mas visçosas logo somarão aos tons de verde o colorido, das hortências azuis , o branco das margaridas e o amarelo dos girassois!
Uma paz invade seu ser, olha pro livro que lê, ele quase cai como da outra vez que ali estivera, mas como em todo déjà vu, há tempo de reagir, assim rapidamente se equilibra e fechando o livro, olha para a criança que toma o sorvete e tem o rosto todo melado, sorri serenamente e fecha os olhos porque já sentiu que esta ali, bem perto, fisicamente ou não, isso de fato não importa; pois esse fechar de olhos é a comprovação que o encontro já se deu...
De olhos fechados, se real ou não, ouve a mesma voz que a faz estrecemer, que trás o arrepio e o frio na barriga há tantas eras:
- Você esta bem! 
Não responde,  apenas sorri e recebe a brisa que acaricia a face e faz balançar os cabelos.
- Que bom que esta bem! Que bom que veio! Vem comigo, vou mostrar como  ficou tudo desde o depois do depois...
Não abre os olhos... mas ouve as palmas da criança como da outra vez.
Pois que em que plano seja o importante é que seja assim  entregue deixa-se levar pela mão e apenas permite  que aconteça...   Catiaho Reflexo d' Alma a obra "Pela janela da Alma"
  sábado 22 de janeiro de 011 03:50hs  terminada as 09:10
foto retirada da blogsfera de blog que acompanho a escrita atualizada

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