Reflexão em Essência Compartilhada

domingo, 8 de fevereiro de 2009

Meu Ensaio Sobre a Solidão

""Odeio quem me rouba a solidão sem, em troca, me oferecer, verdadeiramente companhia. "Nietz
Quem acostumou a ser só torna-se exigente quando recebe pelo caminho promessas de companhia pela viagem da vida adentro.No primeiro momento é algo que causa medo porque pode-se ser feliz em meio a propria solidão, porque não ha de quem cobrar nada, nem a quem implorar migalhas de olhar, atenção, ‘ser só’ é uma responsabilidade sem tamanho porque a sobrevivência depende dessa independência. Mas quando batem a porta e depositam a nossos pés promessas de presença, confiança, mutualidade, fidelidade e junto deixam também tantas certezas de que é pra sempre e idiotamente cremos que pra sempre nunca acaba.Essa crença nos faz abrir a guarda, cair de joelhos e prostrados crer piamente de que tudo é verdade, de que era isso que aguardávamos para não sermos mais ‘sós’.Dai antes que entrem de vez para nos fazerem a prometida companhia, entramos em nós mesmos e pegamos tudo de só nosso,tudo de nossa segurança, tudo que nos fazia bem sozinhos, tudo que nos protegeu por tanto tempo sem hesitar fazemos um trouxa bem grande e amarramos com nos cegos pra ter certeza de que não serão usados por mais ninguém ;isso quando não pegamos a velha mala com chaves e cadeados que trancamos e jogamos fora as chaves de vez;e colocamos onde o carro do lixo vai passar e antes que tudo mude ,antes que quem aguarda entre de vez , ficamos na janela da nossa vida aguardando o carro levar e ai então abrimos casa de nós mesmo enfeitamos com lindas flores de esperança, pomos uma linda mesa onde comeremos e bebermos juntos pela primeira vez e brindaremos ao sabor da esperança .Também arrumamos a cama porque o prazer também faz parte desse novo momento...então...ao renovados e esperança, tomamos o banho da coragem e vestidos para festa abrimos a porta da frente da nossa vida que é o nosso coração e já na entrada bailamos felizes nós e que nos promete companhia, nada pensamos a não ser: “Não somos mais sós”. Coitados de nós!Pois esse é um lindo caminho rumo à realidade que não quisemos lembrar: pois só é eterno enquanto dure. Porque já cedo na jornada descobrimos que não depende de nós a manutenção dessa eternidade, haverá momentos em que despidos que tudo que nos protegia vamos nos ver a mendigar um olhar, uma palavra, uma frase.Ate certo momento ainda teremos o que mendigamos,mas depois nem os gritos serão mais ouvidos, nem os gestos entendidos e vamos perceber que trocamos nossa solidão segura por uma companhia rota,ocasional e que a eternidade dela esta ligado a nossa não necessidade, porque temos de tudo enquanto não precisamos,temos ate o que não pedimos,mas nos momentos vitais nada é resposta que temos, o vácuo, o silencio e a dura ausência.Até esse momento estamos tomados pelo sentimento do” nosso” tudo que fazemos não é mais “por nós” e sim pelo” outro” e então começamos a perceber que agora somos multiplicados por dois, pois o outro se acomoda e se aquieta, mas também percebemos que antes se antes éramos um agora somos meio e assim subtraídos pelo outro de tal forma que desfocados a visão de nosso próprio foco, sem sentir abrimos mãos de nossos sonhos, nossos desejos, na verdade desejamos que o outro fizesse por nós como fazemos por ele... e então temos de volta amigos já expulsos de nós quando éramos sós mais as duvidas que nunca tivemos, as incertezas que sempre tememos nos assolam som porque duvidas e incertezas são duas coisas distintas. Subitamente vemos claramente que isso não acontece o outro que se basta de nós e passa a tirar de nós pra dar pra “outros” .Então a frase do sábio que criou Zaratustra faz total sentido “Odeio quem me rouba a solidão sem, em troca, me oferecer, verdadeiramente companhia.".Desesperados então olhamos pela janela, mas tudo de nosso já foi pro lixo há tempos, ainda tentamos crer que estamos enganados, mas os fatos do vazio em nós é real e cruel... nada fizemos mais por nós, nada temos mais de novo ou de nosso pessoal... então após muitas noites em claro, muitos dias no escuro, calçamos nossa velha bota de lida,vestimos nossa roupa de batalha o velho jeans , pegamos a pá da coragem e seguimos rumo a deposito de lixo em busca da nossa velha e boa amiga solidão.Se vamos encontrar não abemos,mas vamos ficar no meio do lixo até encontrarmos o nosso tesouro ou seja nós mesmos. Catiaho Alcantara 17 de outubro de 2008 12.00

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