Reflexão em Essência Compartilhada

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Observando Van Gogh
















Engraçado... Tenho andado carente de um afeto que de tão grande a carência dói. Mas é de um afeto que já tive, já senti, já percebi mas que tenho percebido dissipar-se, esvair-se como água entre os dedos ou fumaça que a mais leve brisa lê vá e não trás e volta.
Mas é uma carência que machuca tão fundo, remove lá no fundo do profundo do ser um lugar parecido com a descrição de Van Gogh das minas em que ele esteve um dia. Sinto-me assim como o profundo daquelas minas sombrias quanto aqueles.
mineiros que tem impresso na pele e nas feições a falta da luz que não tem como usufruir a não ser vez em vez quando folgam aos domingos
Sinto exatamente assim, como se mínimos momentos desse afeto fossem só o que tenho acesso e resto de um grande tempo. Se o fosse convergir em termo eu só diria frieza, descaso e afastamento do que entendo por luz de afeto.
Vejo Van Gogh ali tentando levar luz em palavras, dedicação em forma de tempo no desejo profundo de que a caminho do entendimento e do discernimento chegassem de alguma forma aqueles seres. Mas a única forma de retorno que o mestre então ali missionário recebe é o asco por ser otimista, é desprezo porque tem liberdade de ir e vir e aqueles serem amargos e limitados não percebem que pra ele estar ali é uma forma de doação de si mesmo compartilhado do mesmo ar rarefeito da mesma falta de luz real.
Van Gogh também usava um capacete que tinha apenas uma luz fraca para iluminar o caminho por onde passaria, mas se é apenas isso que os mineiros conseguem ver, enxergam exatamente só o que esta materializado ali exposto.
Não é isso de fato o que é a essência da vida, ele não precisa ver sob a orientação daquele ténue facho de luz porque deseja acender no ser humano o desejo de se deixar-se brilhar e rebrilhar, de ate mesmo permitir-se arder nas chamas de uma vida com objetivo maior do que deixar-se conduzir dia a dia ate morte, porque é um fato começava-se a morrer assim que se nasce.
Não importava que fossem simples pessoas, porque a despeito das funções que se exerce vida a dentro , pode-se deixar de ser até hu-mano,mas nunca deixa-se de ser uma pessoa exatamente como todas as outras.
Nasce-se só, vive-se com muitos, mas fatalmente morre-se só.
E nessa ânsia de fazer os outros enxergarem e que se apossassem que poderiam e deveriam exercitar brilhar.
Nessa ânsia hoje me assemelho a Van Goh que foi mal interpretado, posto de lado e simplesmente julgado um ser sem utilidade aos pobres mineiros que não viam a necessidade de brilhar, estava prontos pra nascer, viver e morrer seguindo apenas a luz artificial, fraca e fosca que lhes determinaram a usar.Na verdade penso que preferiam que ele repetisse palavras bíblicas sem ousar mostrar-lhes que não eram teoria, ao invez de repetir sermões como missionário ele vivenciava.
Mas Van Gogh não desistiu, antes foi retirado dali e dado com incapaz de ser um simples missionário.
Eu e poucos outros ao exemplo dele não desistimos, mas somos visível e notadamente sendo postos de lado... mas assim como ele mergulhou na luz da arte eu por minha parte,pois falo por mim ;mergulho hoje nas cartas que escreveu a seu ao irmão Théo e vou permitindo ser uma com seus campos de trigo, com seus girassóis que me trazem o brilho ofuscante do amarelo intenso que é quente e que me acorda pra minha própria realidade..não tenho irmão pra escrever mas tenho um amigo amigo de alma pra dividir tudo de bom ou e mal e tenho meus leitores pra compartilhar meus escritos.
Não façam como os mineiros que se negaram a ver a verdade que lhes era generosa lindamente exposta, não prefiram a escuridão porque na verdade na escuridão e nas sombras os seres escusos se escondem, notadamente quando há luz os seres reluzem e levam esperança com o brilho de seu viver.
"Não se pode esconder uma luminária em baixo de um móvel,o correto é deixa-la no alto para que a claridade se espalhe....
e cumpra sua função... como Van Gogh o fez.
Catiaho Alcântara

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