-head-content'/> Catiahô Reflexod'Alma : junho 2009

Reflexão em Essência Compartilhada

segunda-feira, 29 de junho de 2009

Drumondiando ....Eterno, é tudo ...

Eterno, é tudo aquilo que dura uma fração de segundo,
mas com tamanha intensidade, que se petrifica,
e nenhuma força jamais o resgata!
Fácil é ouvir a música que toca.
Difícil é ouvir a sua consciência.
Acenando o tempo todo,
mostrando nossas escolhas erradas.
Fácil é ditar regras.
Difícil é seguí-las.
Ter a noção exata de nossas próprias vidas,
ao invés de ter noção das vidas dos outros.
Fácil é perguntar o que deseja saber.
Difícil é estar preparado para escutar esta resposta.
Ou querer entender a resposta.
Fácil é chorar ou sorrir quando der vontade.
Difícil é sorrir com vontade de chorar ou chorar de rir, de alegria.
Fácil é dar um beijo.
Difícil é entregar a alma.
Sinceramente, por inteiro.
Fácil é sair com várias pessoas ao longo da vida.
Difícil é entender que pouquíssimas delas
vão te aceitar como você é e te fazer feliz por inteiro.
Fácil é ocupar um lugar na caderneta telefônica.
Difícil é ocupar o coração de alguém.
Saber que se é realmente amado.
Fácil é sonhar todas as noites.
Difícil é lutar por um sonho.
Fácil é mentir aos quatro ventos o que tentamos camuflar.
Difícil é mentir para o nosso coração.
Fácil é ver o que queremos enxergar.
Difícil é saber que nos iludimos com o que achávamos ter visto.
Admitir que nos deixamos levar, mais uma vez, isso é difícil.
Fácil é dizer "oi" ou "como vai"?
Difícil é dizer "adeus".
Principalmente quando somos culpados pela partida de alguém de nossas vidas...
Fácil é abraçar,
apertar as mãos,
beijar de olhos fechados.
Difícil é sentir a energia que é transmitida.
Aquela que toma conta do corpo
como uma corrente elétrica
quando tocamos a pessoa certa.
Fácil é querer ser amado.
Difícil é amar completamente só.
Amar de verdade, sem ter medo de viver,
sem ter medo do depois.
Amar e se entregar.
E aprender a dar valor somente a quem te ama.
Falar é completamente fácil,
quando se tem palavras em mente
que expressem sua opinião.
Difícil é expressar por gestos
e atitudes o que realmente sentimos.
Carlos Drumond de Andrade

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Hoje ela me decifra, me define...me consola e me cala ...com esse texto: PERTENCER



Um amigo meu, médico, assegurou-me que desde o berço a
criança sente o ambiente, a criança quer: nela o ser humano, no berço mesmo, já começou. Tenho certeza de que no berço a
minha primeira vontade foi a de pertencer.
Por motivos que aqui não importam, eu de algum modo devia estar sentindo que não pertencia a nada e a ninguém. Nasci de graça. Se no berço experimentei esta fome humana, ela continua a me acompanhar pela vida afora, como se fosse um destino. A ponto de meu coração se contrair de inveja e desejo quando vejo uma freira: ela pertence a Deus. Exatamente porque é tão forte em mim a fome de me dar a algo ou a alguém, é que me tornei bastante arisca: tenho medo de revelar de quanto preciso e de como sou pobre. Sou, sim. Muito pobre. Só tenho um corpo e uma alma. E preciso de mais do que isso. Com o tempo, sobretudo os últimos anos, perdi o jeito de ser gente. Não sei mais como se é. E uma espécie toda nova de "solidão de não pertencer" começou a me invadir como heras num muro. Se meu desejo mais antigo é o de pertencer, por que então nunca fiz parte de clubes ou de associações? Porque não é isso que eu chamo de pertencer. O que eu queria, e não posso, é por exemplo que tudo o que me viesse de bom de dentro de mim eu pudesse dar àquilo que eu pertenço. Mesmo minhas alegrias, como são solitárias às vezes. E uma alegria solitária pode se tornar patética. É como ficar com um presente todo embrulhado em papel enfeitado de presente nas mãos - e não ter a quem dizer: tome, é seu, abra-o! Não querendo me ver em situações patéticas e, por uma espécie de contenção, evitando o tom de tragédia, raramente embrulho com papel de presente os meus sentimentos. Pertencer não vem apenas de ser fraca e precisar unir-se a algo ou a alguém mais forte. Muitas vezes a vontade intensa de pertencer vem em mim de minha própria força - eu quero pertencer para que minha força não seja inútil e fortifique uma pessoa ou uma coisa. Quase consigo me visualizar no berço, quase consigo reproduzir em mim a vaga e no entanto premente sensação de precisar pertencer. Por motivos que nem minha mãe nem meu pai podiam controlar, eu nasci e fiquei apenas: nascida. No entanto fui preparada para ser dada à luz de um modo tão bonito. Minha mãe já estava doente, e, por uma superstição bastante espalhada, acreditava-se que ter um filho curava uma mulher de uma doença. Então fui deliberadamente criada: com amor e esperança. Só que não curei minha mãe. E sinto até hoje essa carga de culpa: fizeram-me para uma missão determinada e eu falhei. Como se contassem comigo nas trincheiras de uma guerra e eu tivesse desertado. Sei que meus pais me perdoaram por eu ter nascido em vão e tê-los traído na grande esperança. Mas eu, eu não me perdôo. Quereria que simplesmente se tivesse feito um milagre: eu nascer e curar minha mãe. Então, sim: eu teria pertencido a meu pai e a minha mãe. Eu nem podia confiar a alguém essa espécie de solidão de não pertencer porque, como desertor, eu tinha o segredo da fuga que por vergonha não podia ser conhecido. A vida me fez de vez em quando pertencer, como se fosse para me dar a medida do que eu perco não pertencendo. E então eu soube: pertencer é viver. Experimentei-o com a sede de quem está no deserto e bebe sôfrego os últimos goles de água de um cantil. E depois a sede volta e é no deserto mesmo que caminho!
Clarice Lispector

Apenas Considerações...



Tanta pobreza do que é chamado de espírito
Não há quem se importe de fato com o outro.
É tudo somente de boca, pura manipulação, apenas busca do interesse próprio.
Mesmo os que se dizem amigos se digladiarem em pura demagogia.
Não se diz o que não quer ser ouvido.
Ouve-se apenas o que se não faz refletir ou não vire a visão criticamente direcionada.
Tudo isso demagogia barata.
Hoje meu ser calou de forma que puxa ou trás de dentro de minhalma a dor do outro.
De fonte genuína pela dor do outro brotam lágrimas de um sentimento tão profundo do outro eu se pudesse ao colo traria até que a força da dor da perda se acalmasse, abrandasse ou se possível fosse cessasse.
O que me vai à alma é a profunda necessidade de junto com o outro apenas silenciar... enquanto os soluços ainda sacodem o corpo.
Tão bom quando seres que somos, termos nossas mãos estendidas nossos ombros pronto; bem como nosso colo a disposição sempre.
Alma livre é alma que deliberadamente se oferece em abrigo e refugio aos outro, seja ele quem seja.
Tanto quis tudo isso e nunca tive, ainda não tenho quando preciso de fato.
Tanto olhei sem receber de volta nenhum flash, ainda não recebo, não quando de fato preciso, mas esse é foco pra outro texto)
A realidade é que tanto quis e não tive ;tanto olhei e não fui vista por conta dessa falta é que entendo e que nesse tempo de dor me ponho de braços abertos e coração cheio de amor me ponho em silencio profundo , apenas chorando por sua dor.
E quando essa dor amenizar ...então o sorriso à face certamente voltará
Catiaho Alcantra Reflexo d ' Alma

Pensando em você amiga linda de tantas historias foi que compus esse texto as 20.50 durante um estudo na minha comunidade. Sabe mais cedo falava com meu amigo Tonni sobre algo meu,da minha família e comecei a chorar, ao final da conversa ele não sabia,mas eu estava aos soluços,
falei pra ele que senti uma saudade absurdo do meu pai que já se foi desde 86...
Sai logo em seguida e fui meditando,minha lágrimas não eram por
mim,nem por meu pai,eram por você e sua irremediável perda.
Saiba que sua dor me diz respeito.
“Força” !
Que a saudade fica pra sempre, mas essa dor um dia Deus ameniza.
Essa foto é como se você pudesse estar no meu colo através de sua arte....
Te adoro.
Catiaho Alcântara 24/06/09

domingo, 21 de junho de 2009

Pensamentos Aspergidos

De tão solto o pensamento se espalha
Tão completamente que até o ar
Se encontra impregnado
Com tamanha leveza
Que apenas sentimentos podem traduzir.
Não importa se apenas o infinito azul
Ou se cinzas as nuvens se fazem carregadas.
Também não faz diferença se dia ou noite,
Se cedo ou tarde.
Apenas pensamentos
Espalhados
Aspergidos,
Sentimentos misturados.
Sensações percebidas
Absorvidas...
Reflexo 21/06/09 0115

sábado, 13 de junho de 2009

Silêncio de Alma...

A face que quente do calor da conversa quase que emitindo fagulhas da excitação que o momento proporcionava de forma violentamente brusca sente o sangue fugir abandonando totalmente o semblante exposto.
O que ate então fora fogo e ímpeto se entrega agora a lividez e total perplexidade enquanto lágrimas descem impactando a mesma face.
Não é dor ou nada que se possa traduzir alem de perplexidade absoluta.
O que era entendido e esperado como soma e conclusões compartilhadas e associadas passam de súbito a solidão do ser que se vê no meio do nada, abandonado pra morrer sem nenhum por que.
É algo perto do que sem entende por morte que chega sem doença, sem aviso prévio.
Ela só vem no meio de um lindo entardecer e aborta a mais sonora gargalhada.
Percebe-se dessa forma: só no meio do vazio, como um grito que perdeu a força antes de sair.
Assim a alma que agitada brincava de bailar com a outra, agora posta num canto qualquer se amontoa sobre si mesma,
apenas se amontoa.
Porque toda vivacidade se foi se um momento para o outro,
em menos que um piscar de olhos.
O beijo que unificava bocas, agora sela o silêncio imposto.
Apenas interrompido pelo constante soluçar incontido.
Secam as lágrimas, já não há mais o que chorar nesse silencioso vazio de alma que abandonada assim perdida se deixa Só ficar...
Reflexo d ‘ Alma 13/06/09 0138

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Caos e fascínio

O caos que assola por dentro
empurra pra frente
permite que o desejo da auto exposição
se instale fazendo parte
definitivamente do tudo que se é.
Sou a ousadia do vento que não se intimida,
Chuva que cai onde tem que cair,
Sonhos que alimentam esperanças
Grito que quebra o frio do silêncio nocivo.
Sou corpo que abriga desejos
Alma que permite ensejos.
Inferno pra quem o corpo em chamas trás.
Céu pra quem pela eternidade clama.
O caos que me assola por dentro
Nada mais é do que o imperativo
de ser quem de fato se é.
De viver a liberdade
Que não teme a realidade de ser expor,
sem limites ou reservas.
Andar á beira do abismo é o fascínio
de livre ter o viver.
E hoje o corpo nu se expõe ao sol sem falsos pudores
A boca profere palavras sem censura
Os olhos abertos enxergam a beleza da linha do horizonte
E os abraços ...
esses aguardam o aconchego.
Reflexo d'Alma 086091121

sábado, 6 de junho de 2009

Repostagem Novamente :Sol que Aquece a Alma





Quinta-feira, 6 de Março de 2008
Sol que aquece a alma
Se deixa ficar ali sentada ao sol, pretendia caminhar, chutar as ondas para quebrar seu ritmo . Mas sentada ali ao sol se deixa ficar. Chegou acompanhada, mas depois que sente o calor do sol é como se estivesse absolutamente só no mundo.A pele absorve o calor e energia de tal forma que desiste de caminhar ; ficando ali o mundo se centraliza apenas nela como se abelha rainha fosse ou mesmo o próprio astro rei que absoluto se impõe ali às dez da manhã. Tudo que vai sendo dito ali a sua frente por quem a acompanha não faz a menor diferença. Escuta mas não ouve, fala mas nada diz, pensa mas nada retém...apenas o calor. Então impulsionada entra na água que se eleva e diz :não! Entende, recua e ali sentada na beira onde as ondas vem molhar areia e ali também se deixa ficar por bons minutos.A água vem e ela se firma e fica assim como que brincando até os braços cansarem.Mas uma coisa ela faz a todo instante enfrenta as ondas enormes que vem ainda distante e a olha fixamente até que quebre com toda sua força.Satisfeita por tudo que já absorvera até aquele momento volta onde deixara alguém então, só então volta para sua realidade.Volta para casa com o corpo quente do sol e alma lavada por momentos assim tão preciosos.Agora o dia já pode seguir seu curso,sente-se preparada.
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