-head-content'/> Catiahô Reflexod'Alma : fevereiro 2008

Reflexão em Essência Compartilhada

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

Doce lembrança sem pressa

Quero escrever sem presa
Sem calculo
Mas com intensidade
Ontem me pus a experimentar uma doce pêra
para poder entender o que me foi passado por meu amigo de alma.
""Nunca senti o eu dizem, que ao saborear uma pêra""
disseram :“Sente-se o prazer do doce na areia dissolvendo na boca”
Adoro pêra madura fiz a deliciosa experiência.
Mas confesso foi por na boca e,
entrei de imediato no túnel tal qual o que entrou Rubens Correia um dia antes de
entrar no paco para encenar Artaud. Em um artigo ele disse ter ouvido gritarem:5 minutos!
Ele se pos em posição de prestar atenção e ali o portal se abriu e ele sentiu o cheiro do mato, o cheiro da terra de onde em criança correu e viveu... ele não se contendo entrou...Vou ver o restante da historia com certeza e ponho aqui a tarde.
Mas eu também senti assim ao saborear aquela pêra... lembrei de meus 11 anos la em Teresópolis, região serrana do Rio,família pobre de tanta coisa ...mas eu rica de imaginação e de um ingenuidade que sinto saudades.E íamos em grupo ate as chácara para pedir exatamente peras , peras duras, uma qualidade de pêra que tem por característica o sabor doce e sua polpa dura,tem-se que morder com força...
Ahh lembrei de como era bom levar a s bolsas cheias e comer ate ter dor de barriga.
O gosto doce dessa pêra que saboreei ontem pra lembrar foi um fio condutor pra uma
outra boa recordação de uma infância que deixou tantas cicatrizes mas que também deixou lindas lembranças como essa.
Hoje terei que saborear outra pêra macia pra saber de fato o que me foi perguntado e escrever um poema descritivo sobre.
Mas tal qual Rubens Correia também escuto o grito: 5 minutos, mas eu voltei a tempo de fazer
o café, estou escrevendo sem tomar café!
Olhem isso!
Catiaho Alcantara 08.55

domingo, 24 de fevereiro de 2008

Desejo e Serpenteio

Estes dois textos são um misto do quero dizer e do que não quero.
Essa coisa de refletir é algo que nem sempre me revela o que gostaria,
porque me revela.
E confesso que me canso de ser solidária, me canso de ser alguém que ouve,
me canso de esperar seja lá o que seja,
me canso de entender....sempre...
Escrevi estes textos as duas da manhã e o primeiro teve a parceria do meu amigo
amigo de alma que sabe um pouquinho do que passa nesse meu ser.
Mas só um pouco porque não o sobrecarregaria com absolutamente tudo que me passa na alma, há coisas ele terá que ver em mim, outras atraves de mim e viver e outras que depois de mim mesma.
Mas o fato é que estou cansada, se sinto exausta dessa coisa que chamo sindrome de Poliana.
Alias amo o livro, amo a tese.
Mas essa coisa de que o sorriso na face e palavras amenas são mero positivimo teorico.
Há dias em que o melhor mesmo é mandar tudo e todos pro inferno...
chutar as cadeiras e subir em cima da mesa ...
e de lá sim resolver o que fazer...
olhando do alto as caras de perplexidade, o falso moralismo
e o ar de indignação enquanto por dentro pensam:
Putz porque não tenho essa coragem?
Mas no alto da mesa, no auge de nosso momento nós poetas nem sempre apenas
tiramos a roupa...
tiramos a roupa jogamos as mascaras em cima dos que estupefatos
nem percebem que ja tiraram as suas assim que nós viram subindo ... bem acho
que assim que nos viram, o que os deixa nus dinate daquele espelho que falo as vezes,
porque o melhor momento pra ficar nu é quandoestamos so dentro de n'so mesmos.
Dai não da para fugir de não reconhecer a noss sub humanidade.
Porque nos ver assim é ir alem das cicatrizes ou imperfeições da pele.
É ver nossa vergonhosa hipocrisia, nossa covardia , nosso proprio desamor
e o pior muitas vezes é ver as correntes que carregamos....por pura falta de coragem
de sermos livres.
Eu poeta hoje nua sem dirfarses para mim mesma ,
em cima dessa mesa chamada minha vida
Me assumo e grito aos ventos convidando
a quem me ouvir ou a que prestar atenção na minha
simbologia que não resistam e se libertem de voces mesmos
e deixem essas correntes para o alguem do ramo ,
qualquer encontrar ao acaso
pegar e vender ali no ferro ......
velho da esquina...


Hoje quero postar aqui algo diferente
Algo que me fale e que me revele gente
Tenho absorvido tanta coisa que as vezes nem demonstro.
Mas hoje quero ser a força da água de uma cachoeira
Quero ser a regularidade das ondas do mar
E refletir o brilho de cada estrela reverenciando a lua
Tambem penso em ser o sol
que sendo um enche toda a terra com seu brilho
e intenso calor.
Mas meu desejo mesmo
é sentir em mim todas as essências
Eu quero tanta coisa hoje...
Mas desejo ainda acima do meu proprio desejar
Que o Sol nasça alem do meu tempo,
Alem do meu sorriso,
alem do meu refletir,
do meu tatear por essa estrada...
Desejo somente o desejar,
porque é o que me mantem ...viva e diria humana,
O que me estabelece , me restabelece
E me firma enquanto ser.

Catiaho Alcantara e Diogo Viana 01.56


Hoje quero postar aqui algo diferente
Algo que me fale e que me revele gente
Tenho absorvido tanta coisa que as vezes nem demonstro.
Mas hoje quero ser a força da água de uma cachoeira
Quero ser a regularidade das ondas do mar
E refletir o brilho de cada estrela reverenciando a lua
Tambem penso em ser o sol
que sendo um enche toda a terra com seu brilho
e intenso calor.
Mas meu desejo mesmo
é sentir em mim todas as essências
Eu quero tanta coisa hoje...
Mas desejo ainda acima do meu proprio desejar
Que o Sol nasça alem do meu tempo,
Alem do meu sorriso,
alem do meu refletir,
do meu tatear por essa estrada...
Desejo somente o desejar,
porque é o que me mantem ...viva e diria humana,
O que me estabelece , me restabelece
E me firma enquanto ser.
Catiaho Alcantara 01.56


Serpenteio nas sensações
Cada momento algo diferente
Cada instante um ponto errante
Corro, pulo e sapateio
Corro de mim porque tenho medo
Pulo todos os obstáculos
Sapateio em cima das duvidas e incertezas
Eu canto, danço e faço festa
Canto porque sou so poesia
Danço porque é minha fantasia
E faço festa porque amo sem limites
Sonho, idealizo e realizo
Sonho de olhos abertos
Idealizo todo meu viver
Realizo por que não sei sonhar e não realizar.
Por isso
Serpenteio nas sensações
Exercendo minha liberdade de sonhar e de viver.
Catiaho Alcantara 01.43

sábado, 23 de fevereiro de 2008

Não

Não tenha medo de refletir
Não o refletir pensar ponderar,
Mas o refletir repetir , transparecer , rebater,
Como acontece no espelho...
Onde nos projetamos e nos...
Es...pa...lha...mos...em...
E tornamos
Dois exatamente iguais.
E se... o vidro quebra
Ë... pedaço pra todo lado
Não.
Não...
Não!!!
Não tenha medo de refletir
E de se dividir com alguém
Não só se dividir se projetando em pequenos pedaços
Se tornando pequenas cópias de si mesmo,
Mas dividindo o espaço pequeno ,
Sendo generoso consigo
Com o outro...
Não tenha medo...
Refletindo consigo,
comigo
Refletindo
Refletindo...
Refletindo

Catiaho Alcantara Reflexo d ‘Alma
Texto Integrante do Espetaculo Teatral Fragmentos de 1997
Registrado na Biblioteca Nacional

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

Fingir sem pudor

Eu finjo que não ligo
Eu finjo que não sinto
Eu finjo que não gosto
Eu finjo que não entendo
Eu finjo que não existo.
Eu finjo que não ligo pra nada nem pra ninguem
Eu finjo que não sinto que sou desprezada
Eu finjo que não me doi o gosto de rejeição
Eu finjo que não entendo que não represento nada
Eu finjo que não percebo que não existir e´ não fazer diferença
Eu finjo sim e daí?Eu finjo porque não faz mesmo diferença
Eu finjo por que a dor é dentro do peito
Eu finjo porque ser mais um é assim mesmo
Eu finjo que não ligo pra nada disso
Eu finjo porque fingindo
Todos fingem que me aceitam.
Então fingimos todos
Então fingimos cada um por seu motivo
Então fingindo vamos vivendo
Então fingir é como fugir
Então fingir é enganar por fora e apodrecer por dentro
Finjamos todos!
Finjamos sem pudor!
Finjamos pra não nos expor...Catiaho 19/11/06 16.09

terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

Trancado

Entrou, fechou a porta,
passou a chave e girou duas vezes,
passou o trinco de segurança e não satisfeito encostou a cadeira.
Queria ter a certeza de que estava de fato trancado.
Era assim que desejava sentir-se naquele momento :trancado.
Só então seguro
disso tirou a roupa , apagou a
luz,
mas abriu a janela e entreabriu as
cortinas.
Queria que entrasse a
luz e os ar da noite.
Noite essa que amava sempre.
Amava amar seus amores por toda noite
e amava amar a noite, só amar olhando e sentindo.
No céu o manto azul esteve
estendido e as estrelas cintilando emitiam raios de brilho
intenso.
Deitou na cama e de frente esteve
estendido de frente pra janela
e pela fresta da cortina que balançava
suavemente com a brisa
e se deixouali apenas a
observar.
Tudo estavaenvolto em um
silêncio que mais parecia como o que antecede
ao chegar de um novo dia.
Onde as
ruas
vazias ,
o ar leve,
a cidade quieta
apenas se deixa
dormir.
Esse silêncio levou os ouvidos ao peito a
prestar atenção nas batidas do coração:tum tum somou a ele o tic-tac do relógio :
tic tac tic tac.
Respirou
profundamente e continuou com o olhar fixo
no céu estrelado sem nuvemnenhuma.
Em um piscar de
olhos
percebe que a lua vem chegando imponente,
quase indecente
de tão majestosa,
pura ,
nua,
só sua.
Quase delirando se viu sentado la
em cima e como
e com ela
assim a olhar o
mundo ,
dos mares o fundo.
Nesse tempo desde que no
quarto entrou e encantado sozinho ali ficou,
de nada falta sentiu.
Nem mesmo de quem um dia lhe
mentiu e traiu,
prometeu e não cumpriu ,
Disse que ficava mas fora embora
e seu caminho
sem olhar pra trás
seguiu.
Nem daqueles que ele deixou
apenas os ignorou e
falta não sentiu
nem de nada
nem de ninguém!
O peito que
ontem de amor ardeu
agora nesse momento
nem mágoa
restou.
Apenas só não arde mais.
Saudade de quem
não mais
vem ,
desse momento
de forma alguma parte
fez ...
E assim sem de nada , nem ninguém
falta sentir...percebeu que
agora era a lua que
partira e que ela as
estrelas seguira.
O tapete azul do céu que agora
enrolado fora
tem o lugar pelo do dia
tomado.
O dia chegou.
Então...
levantou ainda
com certeza nada
sentiu,
e só
se consentiu
se permitiu.
Respirou fundo
nu como estava sua rotina seguiu:
tomou seu banho sem pressa
se vestiu,
destrancou
tudo e sem olhar pra trás
partiu.
Pro mundo da realidade
onde
nada do que sentiu faz parte ou sentido.
Mas de si trancado
Guarda de tudo a imagem
E nem se dá ao
trabalho de explicar se tudo existiu
se fora sonho ,delírio
alucinação ou miragem.

Catiaho Alcantara 22/11/07 12.15 Reflexo d’Alma

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

Labirinto alem de mim

Perdida me encontro no labirinto dentro de mim
Os olhos não ajudam
Apenas os sentidos me guiam
So o instinto me governa
Desejo intensamente explorar o mundo das sensações
Me perco nesse labirinto que sou eu .
Ele é que me favorece e permite que eu prossiga
Apesar de externamente ver todas as limitações me cercam
Dentro de mim nunca nada pode me reter ou deter .
E vou experimentando caminho a caminho
Se aqui fora eu tenho que seguir as regras:
Fingir que não ouço,
Fazer de conta que durmo para que me deixem em paz ,
Falar baixo para que se acalmem com minha sensatez e damez
Por dentro sou um vulcão.
Falo, grito e espeneio
Me entrego sempre
E explodo
Enquanto caminho em mim
por este labirinto e
Aprendo que a liberdade
é exercida de dentro pra fora
Se sou livre em mim
Posso me levar
E levar-la adiante comigo
E pra isso expando e exponho esse labirinto
alem de mim.
Não apenas todos percebem
Mas eu me sinto assim.
Adoro esse labirinto.

Catiaho Alcantara 10.45

domingo, 17 de fevereiro de 2008

Preciso guardar


Preciso guardar
Preciso guardar tua essência
Sim aquela que espalha como a brisa leve suave
Mas não quero guardar em um recipiente
ou algo que aprisione algo assim tão precioso.
Desejo guardar na lembrança de cada verso teu.
E cada vez que pensar nessa direção
desejo profundamente que estar te espalhando
quando respiro e expiro.
Se de meus poros nehuma gota saiu que não seja tua essência
no meu transpirar.
De muita importância é quem olhe meu sorriso
mesmo sem saber o motivo saibam
que tua essência faz o desenho dele.
Se de mim algum mistério fugir com certeza
e tua essencia escapando a me encantar.
E mais encantada que vivo é impossível
Desde que possa tua essência transparecer
em mim espalhar pelo ar.
E dividir com todos os que pelo caminho

eu encontrar

Pra alguem especial no meu caminho, alguem com quem divido meu caminhar
Catiaho 10/02/08 02.45ha

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

Hoje diante do mar nos calamos:eu não queria falar,ele não queria me ouvir...

Estava dizendo no Mude ainda a pouco...hoje estou cansada...
desanimada ...desmotivada.
Não sei se é por todos os acontecimentos da ultima semana,
ou se por tudo que me espera.
E sou assim antes de começar algo importante eu simplesmente
desmonto.
Tenho dias pra fechar alguns projetos meus, tenho uma agenda
pessoal que so eu posso fazer andar.
Tenho pessoas proximas a mim que desejam que eu falhe,
que eu retroceda,que eu simplesmente volte a ser quem nunca quis ser.
Não que sejam contra quem sou,mas me preferem inerte.
Acabei de sair de um projeto de meses , por ele parei tudo de meu
agora que é chegada aminha hora estou assim...
Não bebo ,porque se bebesse com certeza so voltava a mim amanhã
me correr, mergulhar e meter a cara no meu trabalho.
Sem fuga.Mas...
Hoje me levaram quase a força para ver o mar....ficamos calados
eu e ele, eu nã queria falar e ele não queria me ouvir...
Isso me afeta!
Hoje simplesmente me falta vontade,desejo....emoção....
Isso me preocupa...
Por isso estou gastando esse espeaço que é meu pra deixar registrado

Catiaho Alcantara 13 de fevereiro de 2008 2157 hs

terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

Aquele vestido vermelho...




No dia que aquele vestido vermelho entrou na produtora, senti um calor no rosto. Sabem
aquele que se sente quando se deseja alguém na exata hora que vê?
Pois é, não lembro bem o ano mas era algo em torno de 2000.
Não lembro quem foi,mas mandaram para nossa produtora porque era uma escola de arte que
ministrávamos aulas, dentre outras aulas de modelo e manequim.
Peguei o vestido com o rosto já pegando fogo e fui pra meu quarto e o vesti... fora feito pra mim.
Era largo, pronto para os ajustes nas alunas...
Ah como sonhei agarrada ao vestido vermelho
ali no meu quarto dançando sozinha...
Mas era um longo? Onde usaria um longo?
Naquele momento decidi que deixaria que usassem no curso por pura necessidade,
evitaria o maximo e não perderia de vista. E de fato assim que chegou uma modelo linda alta... morena da cor de jambo de nome Priscila e o acertando já no corpo  dela eu pensava: é agora não o visto mais.
Ela adorou o vestido queria comprar...vejam isso!
Esperta e determinada que sou, assim que pude o guardei junto com minhas coisas mais secretas:cartas,conchas,pedrinhas,presentes , papeis de embalagens diversas (eu guardo tudo acreditem!)  e o vestido junto a tudo isso.
Passou o tempo e de vez em quando eu vestia e sonhava com o dia ... em que ele cobriria minha pele. Apesar de desejar não me  sentia confortável para vesti-lo ainda, até ja cheguei a entrar nele, mas meu instinto dizia: não!ainda não! E sempre escuto o que ele me diz. Até que quando chegou a hora eu disse:
é agora !Ele esta comigo pra isso!Todos olhavam e diziam :esta calma quanto a roupa, eu respondia com minha cara cínica:deixa comigo.E sexta dia 08 de fevereiro o tirei do meu lugar secreto:perfumado,
macio e brilhando a minha espera.Senti aquele calor na face novamente , agora sei pode ser fascinio, desejo, tesão...desafio o termo não importa,mas sim o que senti.
Tanto faz.
O fato é que não mostrei a ninguém.Sexta fui ao cabelereiro,me ajeitei e todos se assustam porque sou imprevisivel.Até me levaram ao shopping pra ver se queria algo.
Eu?
Na minha, adoro suspense e ver todos loucos.
Sabado a tarde passei eu mesma e plena levantei os braços e por cima deles deixei que ele escorregasse e caisse lentamente ...nem precisava olhar no espelho...
Meu rosto ainda mais agogueado agora sustentava um sorriso que sempre nego no dia a dia.
Por questões de praxe pus um lindo xale preto com lantejouras que meus filhos trouxeram da Arabia em 2006.Mas coloquei só porque fui obrigada(convenção), ahh queria as costas de fora...
Sabe valeu a pena esperar tantos para ter essa sensação.
E interessante que a linda morena que o vestiu, lembram?
Minha nora que me perdoe,mas...
Era namorada linda morena do filho que nesse dia visto exatamente o mesmo(namorou a morena por mais de dez anos e casou com a loira em exatos um ano)
VESTIDO VERMELHO ai ai!

Catiaho Alcantara 17.34 13 de fevereiro de 2007

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

AGIGUELÊ

AGIGUELÊ
AZARABUMBÁ
ISQUEREZÊ
ARIKARUMARUM
SERERÊ
IQUEBELELÊ
DATIQUEFUM
SABARAQUETUM
São sons do fundo da gente.
Representam o tudo ou nada talvez.
Fluem do fundo da alma da gente
Levando emoções e trazendo o sonhar

AGIGUELÊ
AZARABUMBÁ

É não se ter medo
Do que se pode fazer

ISQUEREZÊ
ARIKARUMARUM

Vamos deixar
O encanto viver

SERERÊ
IQUEBELELÊ

Isso é pra mim
Isso é pra vc.

DATIQUEFUM
SABARAQUETUM
Se solte
E venha aprender!

Texto do meu melhor trabalho chamado Fragmentos de 1997, me sinto assim:recomeçado esse
texto é algo de sons do corpo, com gritos da alma isso tudo em signos cenicos.
Foi o melhor de mim porque foi um grito de liberdade que foi para os palcos do Rio de janeiro,6 atores,1 musico e muita adrenalina no paco, no periodo preparatorio eu quando diretora sentia como se o ensaio fosse entrar em mimeses e os atores nesse transe frentico fossem se agarrar
e se entregar da forma que voce esta pesando mesmo.
Era lindo e eu amei ver isso acontecer.
Porque é o que creio arte e vida no palco .Palavras geram atos de todas as formas eu fiz acontecer.Adoro!
Saudade....
O primeiro trabalho que assinei Reflexo d'Alma

Catiaho Alcantara

domingo, 10 de fevereiro de 2008

O dia que o Casamento foi equiparado e comparado ao Circo, pelo sabio Alcimar que amo!


Convidados para uma cerimonia religiosa e
todos levamos para casa uma bela lição de vida
esse texto cabe perfeitamente hoje.
Ha tantas decisões a serem tomadas na na vida, hoje com 44 anos
eu posso olhar pra tras e ver como o tmepo passa rapido.
Outro dia eu era uma jovem que não planelou estas coisas de casar,ter filhos,ter casa propria,ter um carro ,casar de vestido branco,ter uma festa assim ou assado.Serio nunca sonhei com nada disso.So tinha uma meta:ser feliz.
Olhando pra tras sei que consegui, porque quando conheci a pessoa que me ajudaria escrever uma historia de um lindo enredo ai passamos a planejar, porque ai é impossivel não planejar.Planejmos ter 2 filhos homens se possivel,ter uma casa segura e confortaval, um carro
pra nos levar para lugares onde estariamos juntos, depois planejamos a educação dos dois,
então a arte tomou conta de nós e de nossas vidas.Mas ainda assim minha meta era ser sempre
feliz.Digo pros amigos que não sou uma mulher comum porque viveria bem ser mãe,sabe nunca peguei filhos dos outros no colo, ja havia criado 5 irmãos sozinha praticamente.Deus me agraciou com a maternidade,mas sempre soubr que se tivesse que optar entre o amor e os filhos, eu ficaria com o amor, francamente sem demagogia que alias dispenso.Deixei tudo voluntariamente
para dar conta de minha missão:criar os filhos dando a eles um lar seguro e condições para serem
adultos prontos para a vida.
E na cerimonia ouvimos verdades sobre o casamento, quem diria?Estamos tão acostumados as mentiras das convenções que eu mems vi os rostos perplexos diante de um sermão leve que afirmava que na biblia ha um texto que diz que quem esta esta solteiro e bem deve continuar assim, quem optar por casar que se prepare por é muito dificil e que tanto um quanto outro
ha dificuldades,mas que é possivel ser feliz se olharem na mesma direção.
Foi lindo ver pessoas refletindo sobre a importancia de se viver com arte inclusive no casamento.E mais inda vi os semblantes quando foi dito que o casamento é tão serio quanto o circo.Os familares da noiva circenses entenderam,mas as pessoas comuns me permitiram ver o grande ponto de interregação estampados em suas testa.
O texto de Edson diz que é necessario ter uma historia pra contar.
Estou contando um episodio recente da minha.
Texto de Edson Marques eu ouvi na voz de Toni Garrido
Escreva a sua história na areia da praia
para que as ondas a levem através dos sete mares
ate tornasse lenda na boca de estrelas cadentes

Conte sua história ao vento
Cante nos bares para os rudes marujos aquele cujos os olhos são farois sujo e sem brilho
Escreva no asfalto com sangue
Grite bem auto a sua história antes que ela seja varrida na manha seguinte pelos garis
Abra o peito na direção dos canhões
Suba nos tanques de pequin
Derrube os muros de berlim Destrua as catedrais de paris
Defenda sua palavra a vida não vale NADA se não tem uma boa história pra contar.

EDSON MARQUES(depois acerto livro pg etc...)

sábado, 9 de fevereiro de 2008

A palavra mágica de Antonin Artaud

Me aguardem após ler isso tudo e absorver bem vou escrever com alma bem inflamada.Dois dias me serão sufientes.
Por enquanto espero que não somente Edson e Diogo leiam,mas todos que passarem leiam nem que seja uma frase e olhem bem pra esse artista que foi sempre mais que um artista, foi essencia é nela que envolvo e me detenho sempre.
Quero ir ao Rio pegar a pintura que meu amigo Arinelson fez e que fica no meu escritoriola onde me inspirava pra criar.
Podem me taxar insana,mas esse homem me inspira e me inspirará ate que eu expire.
Passem,passeiem pelo texto

Bjins entre delírios e delíros


A palavra mágica de Antonin Artaud

Gilberto Rabelo Profeta

Uma linguagem que remeta o pensamento a imagens transmite idéias e conceitos? Conseguiu Artaud concretizar o uso da palavra pelo seu poder de magia, encantamento?

Estas questões poderiam ser consideradas irrelevantes, porque o objetivo expresso de Artaud não é “precisar pensamentos, mas fazer pensar", objetivo cumprido e palavras tais como "corpo sem órgãos", "virtual", "repetição", "as palavras e as coisas", “fora do pensamento”, ou delas derivadas entram, como pontos fundamentais, em corpos teóricos extensos e complexos de Deleuze, Derrida, Foucault, Guattari, entre outros. Há, contudo, uma diferença a ser apontada. Artaud [1] acredita que os discursos dos dementes precoces, "as imagens pelas quais ele é possuído”, sejam mais que uma “uma salada de palavras". "Demente precoce" é o nome antigo de "esquizofrenia", diagnóstico dado a Artaud por seus estudiosos e há a possibilidade de ter ele desejado, ainda que de forma inconsciente, provar sua tese, a partir de sua obra e de seu discurso. Por outro lado, as "histórias da loucura" relatam que os loucos não tinham direito à propriedade, e, assim, usar idéias de um “louco” sob estudo, sem lhe dar os créditos devidos, é apoderar-se de sua idéia. Se não é lícito supor que os estudiosos tomaram, como suas, idéias/conceitos de Artaud por “apoderar-se” delas, surge a hipótese de que a proposta artaudiana de retorno da linguagem ao seu poder mágico e de encantamento foi concretizada em seus textos.

Se Artaud não fez lista de referências bibliográficas, não respeitou uma metodologia científica em seus escritos e não se reconhece ter usado um método, não devemos nos esquecer de que muitas de suas idéias lhe nasceram ao assistir ao discurso imagético do Teatro de Bali e leituras descritivas sobre a Peste, bem como à percepção de sua época “angustiante e catastrófica”. [2] Há, ainda, o fato de não ser respeitado em suas afirmativas. Tendo declarado ser suicidado pela sociedade, considerado dela separado, sentido o apetite de não ser, e, surrealista, procurado uma manifestação da loucura, foi estudado, gerando uma infinidade de textos, sendo citado, apenas, como "o louco que se estuda", esta a diferença a ser apontada. Incorre-se em um grave erro: referir-se à sua loucura, à sua "esquizofrenia", a partir de seus escritos, sem se acentuar o fato de ser sua obra uma criação construída, não espontânea, denegando a sua afirmativa de escrever vezes seguidas os seus textos em busca de uma forma final, como declara em uma de suas cartas.

Procuramos demonstrar a pertinência das questões levantadas analisando o capitulo "A transversalidade", do livro "Revolução Molecular", de Felix Guattari. [3]

Artaud [4] postula que o pensamento se opera por imagens, às quais se juntam palavras; estas “pouco dizem ao espírito, as imagens dizem mesmo se feitas com palavras”. Wittgenstein [5] julga que é possível haver, inclusive, clareza nesta forma de exposição do "que pode ser dito". Susanne Langer [6] diz algo semelhante em "conceitos realmente novos, desprovidos de nome na linguagem corrente, sempre fazem seu primeiro aparecimento em afirmações metafóricas; por isso, o começo de qualquer estrutura teorética é, inevitavelmente, marcada por invenções fantásticas". Artaud, afirmando que a linguagem clara nada diz ao espírito - impede o pensamento [2] - percorre o sentido contrário: conhecendo as palavras claras, procura a forma de expressão em que as palavras remetam a imagens e faz seu discurso por meio de metáforas, alegorias, signos e palavras sem sentido. Isto não quer dizer que não faça conceituações para dizer o seu teatro da crueldade, significa apenas que as faz por meio de metáforas, o que, ainda, pode soar como disparate.

Procuramos relacionar a frases do texto de Guattari, frases correlatas de Artaud, tendo em mente Wittgenstein, Langer, e, de “O teatro e seu duplo”: fazer a “metafísica da linguagem articulada” para que a linguagem expresse aquilo que rotineiramente não expressa; as palavras têm a faculdade "de criar sob a linguagem uma corrente subterrânea de impressões, de correspondências, analogias”; ser confundido quando se pronuncia as palavras é "simplesmente índice de nossa incapacidade de extrair de uma palavra todas as suas conseqüências e de nossa profunda ignorância em relação ao espírito de síntese e de analogia".

Em primeiro plano, todo o texto de Guattari é dirigido aos "chefes dos manicômios", como na “Carta aos chefes dos manicômios”, e tem como objetivo a reforma da psiquiatria até então exercida na França. O que Artaud pede, sempre que se refere a “loucos” e seus psiquiatras, é "que se dê crédito ao homem até ao absurdo",[7] o que, em última análise, é pedir uma reforma da psiquiatria vigente.

Em Guattari, a referência a que psicólogos, psico-sociólogos e mesmo psicanalistas arrancarão à análise institucional "uns pedaços com os quais farão seu negócio" deve ser lido em relação a "van Gogh, o Suicidado da Sociedade”, [8] quando Artaud se refere ao lado comercial da psiquiatria em "isto se chama fazer seu pé de meia e aumentar seu lucro", e em relação a "Artaud, o Momo - Loucura e Magia Negra”, [1] ao se referir à "medicina mercenária".

"Segregação que persiste entre o mundo dos loucos e o resto da sociedade" deve ser lida em relação à afirmativa de Artaud de que “não estou morto, mas separado”, separação esta que é virtual e se concretiza ao ser internado em manicômio.

"Desconhecimento do que acontece para além dos muros do hospital" está sob "tolerado", quando da palavra se procura tirar todas as conseqüências, como pede Artaud, em os "hospícios são cárceres onde os detentos fornecem mão-de-obra gratuita e cômoda, onde os suplícios são a regra, e isso é tolerado pelos senhores", da Carta.

"O complexo de castração não poderá jamais encontrar uma solução satisfatória enquanto a sociedade contemporânea persistir em confiar-lhe um papel inconsciente de controle social" guarda uma correspondência, de percepção não imediata, com "emascular o homem/humanidade" de "Para acabar com o Julgamento de Deus”. [9] Artaud percebe uma humanidade vista sob uma ótica anatômica e pede a emasculação do Homem/homem, pois sexo/libido não lhe satisfaz como explicação para relação do homem com a realidade, a Natureza. Uma sociedade em que o medo de perder o falo não exerça papel em sua dinâmica cabe dentro do conceito de uma “sociedade emasculada”. O “corpo sem órgãos”, no sentido de Artaud, está nesta frase, também sem permitir percepção imediata. Após retirar o sexo ao homem, Artaud o eviscera, não crendo que a fome seja, também, explicação plausível para a relação homem-realidade. Como diz claramente, o homem eviscerado terá sua verdadeira liberdade, isto é, estará liberto de seus automatismos. Se todo o comportamento do homem é explicável apenas por seus instintos e necessidades, eviscere-o e obter-se-á o animal verdadeiramente distinto dos outros animais, por ser racional. Se o complexo de castração deixar de ter um papel inconsciente no controle social, restará um homem livre dos automatismos (positivos ou negativos) que tal complexo lhe impõe.

O tema da repetição e diferença está em Artaud e foi visto por todos os seus estudiosos. É interessante aparecer em Tzvetan Todorov, "A arte segundo Artaud”, [10] sem citações de Deleuze, Derrida, Foucault. Todorov nos descreve as contribuições de Artaud sem descer a considerações quanto à sua personalidade, embora julgue "os textos teóricos" restritos apenas a "O teatro e seu duplo". Artaud desenvolve suas idéias, repetindo-as e acrescentando diferenças, desde os trabalhos iniciais até a obra final.

A "necessidade de culpabilidade" de Freud, Artaud contrapõe "não há nada no inconsciente a ser supliciado", em “O teatro da Crueldade”. [11] Refere-se, em "Surrealismo e revolução”, [1] de 1936, à grande mentira do qual foram vítimas, ele e seu pai, referindo-se às relações entre o corpo e o espírito, que pode ser o cerne do complexo de castração. Guattari analisa a família, a incompatibilidade, "cada vez mais óbvia", da função do pai como suporte dos processos identificatórios do sujeito e as exigências das sociedades industriais para as quais a esta função tende a ser apenas "mistificadora". Guattari não define, neste texto, “mistificador". O conceito de "mistificação" em análise institucional, segundo Baremblitt, [12] se prende a "representações, crenças, convicções e valores que deformam, encobrem ou falsificam a realidade natural ou social". Isto deve ser lido em confrontação com "Surrealismo e Revolução", que, segundo Kristeva, citado por Claudio Willer, [1] "antecipa correntes modernas do pensamento psicanalítico", sendo a revolta artaudiana contra o Pai (todas as formas de pai, diz Artaud), uma revolta contra o Superego, pela liberação do inconsciente, completando, assim, a correspondência entre Artaud e Guattari. Há diferença, Artaud enxerga a função do pai como mistificadora - sempre - na cultura ocidental, não apenas na sociedade contemporânea, industrial ou capitalista ou não.

"Iniciático", em Guattari, reporta-nos a mistérios de Elêusis e a órfico-pitagóricos, em Artaud. Guattari prevê "a emergência de um certo número de signos, presenciando os aspectos transcendentais da loucura que até então permaneciam recalcados" a partir dos efeitos "iniciáticos" de uma análise institucional que leve ao desnudamento de um pela fala do outro e à fundação de "uma nova lei do grupo". Artaud diz, em "O teatro e a cultura”, [2] "que o "teatro existe para permitir que o recalcado viva"; em "O teatro e a peste” [2] diz "o teatro convida o espírito para um delírio que exalta suas energias". "Ser desnudado pela fala do outro" está em "O teatro e a peste" como "a ação do teatro é benfazeja pois, levando os homens a se verem como são, faz cair a máscara, põe a descoberto a mentira, a tibieza, a baixeza, o engodo".

Em Guattari, as frases:

“ao nível do pavilhão, o coeficiente (de transversalidade) latente e reprimido poderá se revelar muito superior”;

“elas interpelam cada um, tanto os técnicos quanto os pacientes, para questioná-los sobre seu ser e seu destino”;

“a sociedade industrial se assegura assim do controle inconsciente de nosso destino”;

“ao invés de cada um desempenhar para si mesmo e para os outros o teatro da existência”;

“contestação e de redefinição de papéis;

“as phantasias de morte, ou de estilhaçamento do corpo … poderão ser retomadas num contexto de calor de grupo, quando se poderia ter ficado na crença de que seu destino é o de permanecer prisioneira de uma neo-sociedade”.

Artaud diz, em "O teatro e a peste", que "a ação do teatro revelando para as coletividades seu próprio poder obscuro, sua força oculta, ela as convida a assumir diante do destino uma atitude heróica e superior, que, sem isso, elas nunca assumiriam". A correspondência de "teatro da existência" e "contestação" é óbvia; "poder obscuro e força oculta das coletividades" é o que nela está latente e reprimido, e "assumir atitudes" é "redefinir papéis", conforme qualquer teoria do comportamento.

Em Guattari, os manicomiados "têm um ponto de vista sobre o mundo, uma missão a cumprir", e em Artaud, temos:

Na Carta, afirma o caráter genial das manifestações de certos loucos e "a legitimidade absoluta da sua concepção de realidade e de todos os atos que dela decorrem";

em van Gogh diz que Gérard de Nerval foi acusado de estar louco "para desacreditar certas revelações fundamentais que estava em vias de fazer";

em van Gogh afirma que a sociedade não quer ouvir o louco e o impede de "enunciar certas verdades intoleráveis";

A cristalização, congelamento, das estruturas institucionais, e, por extensão, das instituições e da sociedade, é vista por Guattari, pedindo que "as questões-chave (sejam) colocadas antes da cristalização das rejeições e atrações, ao nível donde pode brotar uma criatividade de grupo". Percebendo o mecanismo de tornar corpo o abstrato, dá o mecanismo da cristalização da estrutura: o percebido é cristalizado, congelado, e passa a ser concreto e exigido do indivíduo enquanto inserido no grupo. Artaud não nos apresenta correspondências diretas ao mecanismo do congelamento das instituições da cultura ocidental, denuncia-as e faz toda uma busca em direção a uma cultura dinâmica, não cristalizada.

Guattari se refere aos psiquiatras como "guardiões de túmulos". É imagem de "Artaud O momo”, [1] em "nada como um manicômio para carinhosamente incubar a morte e para manter os mortos em incubadeiras", o que faz "manicômio" entrar na rede de conotações de "túmulo".

Com relação à transversalidade, Sandbothe [13] nos dá um resumo histórico do conceito. Existe na matemática e da geologia, Sartre fez o primeiro uso filosófico, a inserção propriamente dita no campo filosófico se deu com Gilles Deleuze e Félix Guattari, e que, a partir de Deleuze e Derrida, Wolfgang Welsch avança chegando à conceituação de "razão transversal". Não há citações do campo literário.

Em "Revolução Molecular", Guattari relaciona a "transversalidade" diretamente a:

interpretação e transferência, ambos como um modo de intervenção simbólica;

verticalidade, a hierarquia social, e a horizontalidade, o grupo;

não percepção, dito como "cegueira";

inter-relação afetiva entre os membros do grupo;

egocentrismo como "permanecer paralisado em torno de si mesmo";

comunicação máxima (global, verbal e não verbal, mas acentua a fala);

objeto da busca do grupo;

o inconsciente alcançar expressão coletiva;

suporte do desejo do grupo.

Em “A vidraça do Amor”, [14] de Artaud, temos:

“eu a amava”, referindo-se à criada da taverna;

“cumpria-me encontrar simplesmente o meio de atingi-la diretamente, isto é, e antes de tudo de falar-lhe";

"cônego" Lewis, que "anda na transversal”;

“eu não sei como entrar em contato com ela”;

“você a obterá transversalmente”;

“é ela que me atravessa”;

"o amor é oblíquo, a vida é oblíqua, o pensamento é oblíquo, tudo é oblíquo";

"VOCÊ A TERÁ QUANDO NÃO PENSAR NISTO";

“há tanto tempo, me disse ela, eu te desejava”;

"e esta foi a ponte da grande noite".

As palavras "cônego" e "Lewis" referem-se a Lewis Carroll, [15] o que fica corroborado pela citação do jogo de xadrez. Há uma correlação entre “Através do espelho” de Carroll e “A vidraça do amor”, que se nota pelas palavras “vidraça”, “vulcão”, “atravessar” e pelo poema “Jabberwocky” ("Jaguadarte”), que é objeto de estudo de Artaud em outro trabalho. Não há em Lewis Carroll de forma transparente a colocação de “transversal”, mereceria um estudo à parte. Registre-se que, se original de Lewis, Artaud usa “transversal” e “atravessado” dando-lhe os créditos devidos.

Lewis recomenda que Artaud não fale diretamente à criadinha. Para Artaud "a palavra clara é porcaria", pois há "sentimentos não traduzíveis em palavras". Artaud, no entanto, não sabe como entrar em contato - como promover o encontro - com a criadinha. Lewis lhe diz que a terá transversalmente, pois tudo é oblíquo. Se o que se quer não pode ser conseguido de modo direto, tem de o ser indiretamente, mas o texto não fornece maiores possibilidades para o significado de "transversal" e "oblíquo". Susanne Langer (16) nos fala da obliqüidade, citando "Tillyard E. M. W. Poetry Direct and Oblique, Londres, Chatto & Windus, 1934", e "Parker, DeWitt. The Analysis of Art. New Haven, Yale University Press, 1926". Para o primeiro autor, a poesia da obliqüidade é indireta, não enuncia, apenas sugere ou implica por relações sutis entre enunciações aparentemente triviais que faz, e pelo ritmo, imagens, referências, metáforas e outros elementos que nela ocorre. Para Parker, significados "oblíquos" são aqueles a serem lidos nas entrelinhas, ditos "significados profundos". Langer, analisando o estudo de Tillyard sobre um poema de William Blake, nos diz que o autor "encontrou o cerne emocional do poema" após descobrir sua "obliqüidade", em frase que pode ou não fazer coincidir "descobrir seu conceito de obliqüidade" com "descobrir a obliqüidade do poema".

É pouco provável ter Artaud lido estes autores. São textos de 1926 e 1934, podendo, portanto, serem considerados como participantes do "espírito da época", do qual Artaud era absurdamente ciente para um autodidata. Os significados oblíquos são como os "conteúdos latentes" em Guattari, "que requer ser decifrado a partir de uma interpretação das rupturas de sentido". Por serem conteúdos "profundos" - "cerne emocional" - não são transformáveis em palavras.

Artaud não terá a criadinha enquanto não se dispuser a “não pensar nisto”, que é “deixar de pensar”, equivalente a deixar de “estar paralisado dentro de si mesmo”, egocentrado, de Guattari.

Artaud se sente "atravessado" pela criadinha. "Atravessar" mantém o mesmo sentido com que está no primeiro manifesto do Teatro da Crueldade, quando Artaud propõe que o espectador esteja envolvido e "atravessado" pela ação, a partir de uma comunicação direta entre ele e o espetáculo. [2] "Comunicação direta", sem fala, que promova um "atravessamento" entre o espectador e o espetáculo, pode equivaler a "comunicação máxima" como está em Guattari.

Assim, para Artaud obter o seu objeto de desejo sem lhe falar diretamente, tem de ser obliquamente, ou seja, transversalmente. Ele é o espetáculo, ela a espectadora e ele tem de conseguir "atravessá-la" para que sua fala - linguagem total, não apenas a verbal - lhe tenha significado, ou seja, ocorra uma "comunicação direta", "máxima" entre ambos. Dito de outro modo, para que corra o risco de obter o seu objeto de desejo, deve haver uma comunicação máxima – verdadeira - entre sua verticalidade - seu mundo interno - e a verticalidade da criadinha. Artaud a terá tido transversalmente quando ela se declara atravessada por ele em “há tanto tempo te desejava”, interpretação que se afirma em "esta foi a ponte da grande noite", após o encontro.

Em Guattari temos “comunicação” que admite, conotativamente, "ponte".

Conceituar as relações interpessoais em um grupo em termos de verticalidade e horizontalidade impõe que "transversalidade" seja equivalente a "obliqüidade". Em termos de geometria, quaisquer linhas que não são paralelas às verticais e horizontais lhes são oblíquas, transversais. Resta saber se “transversalidade”, em Guattari, se refere ao que está escondido no discurso do outro. Nos grupos institucionais, objeto de estudo de Guattari, a "transversalidade" pode estar latente, reprimida, e o "conteúdo latente" não tem condições de ser evocado na ordem da fala a não ser como sintomas, portanto metáforas, imagens, e frases incoerentes. Para haver uma "comunicação máxima" - transversalidade – em Artaud há a exigência de uma linguagem total, dirigida aos sentidos, ao homem total, e em Guattari de uma "fala verdadeira, isto é, articulável às outras cadeias do discurso…". Se Guattari se refere a um discurso verbal, coerente com o desejo da linguagem (o desejo da linguagem é fundar o pensamento): assim, de “frase incoerente a partir da qual ficaria para ser decifrado o objeto”, Guattari chega à “fala verdadeira” articulável com os discursos histórico, científico, estético, etc. Contudo, nega, a seguir, a esta “fala verdadeira”, o caráter de “discurso claro”, ao deixar supor que a comunicação máxima se dá quando o processo proposto leva à “emergência de um certo número de signos”, possibilitando um presenciar-se “os aspectos transcendentais da loucura”. É isto dizer que sua proposta de intervenção institucional leva a uma linguagem não meramente verbal.

No processo de transformação social do grupo, no momento em que uma manifestação inconsciente pode alcançar uma expressão coletiva, surge um modelo de fala, "funcionando num sentido meramente ritual", diz Guattari. Artaud, em "Teatro oriental e teatro ocidental”, [2] pede a "materialização visual e plástica da palavra". A correspondência surge quando buscamos o significado de "ritual". O rito é a ação do mito, portanto, a sua materialização visual e plástica, sendo que o mito é o dito, a palavra.

Em Guattari, "um grupo profundamente alienado, fixado às suas próprias imagens deformantes" deve atualizar "O pesa nervos”, [17] onde Artaud postula, no pensamento, "um ponto fosforescente onde toda a realidade se reencontra, porém mudada, metamorfoseada … Eu acredito em cosmogonias individuais".[17] "Individuais" é "suas próprias" e "metamorfoseada" é "imagens deformantes", correspondência que fica melhor sublinhada em "entre o real e eu, estão eu e minhas deformações dos fantasmas da realidade" de "Surrealismo e revolução”. [1]

A proposta de Guattari leva à "emergência de um certo número de signos, presenciando os aspectos transcendentais da loucura que até então permaneciam recalcados". Artaud joga no teatro um certo número de signos para que haja a emergência do recalcado, como em "o teatro existe para permitir que o recalcado viva", de "O teatro e a cultura”. [2]

Em Guattari, temos “transferência mecânica" ou "obrigatória, predeterminada", que deve ser combatida. Recordemos o caráter inconsciente da transferência. Artaud busca restituir ao homem a sua verdadeira liberdade, livrando-o de seus automatismos, de seus predeterminismos.

Guattari usa a figura de Artaud humanidade igual a corpo em “a humanidade poderia decidir ser um imenso corpo esfacelado”.

Guattari prevê "o delírio e qualquer outra manifestação inconsciente (possa) alcançar um modo de expressão coletiva" e um "presenciar aspectos transcendentais da loucura". Isto é tornar o delírio um "delírio comunicativo", como quer Artaud, em "O teatro e a peste”. [2]

Em conclusão, temos que, como colocado por Artaud, a palavra pode ser usada pelo seu poder de encantamento para levar o homem a pensar; a linguagem metafórica, e, por conseguinte, por imagens, pode veicular idéias que levem à fundação de corpos teoréticos extensos e complexos; a procura de correspondências e analogias não é um mero instrumento do simbolismo e que é possível haver um método na obra de Artaud. É possível, também, que a noção de “transversalidade” esteja veiculada em Lewis Carroll. Estes paralelos entre a transversalidade de Guattari e a obra de Artaud autoriza o questionamento: o que nos estudos sobre a obra de Artaud é desenvolvimento de suas idéias?



NOTAS

1. “Os escritos de Antonin Artaud”, tradução, seleção e notas por Claudio Willer. L&PM Editores Ltda, 1983.
2. Artaud, A. “O teatro e seu duplo”. Editora Max Limonad Ltda. São Paulo, 1987.
3. Guattari, F. “Revolução molecular: pulsões políticas do desejo”. Editora Brasiliense, São Paulo, 3ª edição, 1987.
4. Artaud, A. “Mensajes Revolucionarios”. Editorial Fundamentos, 3ª ed., Madri, 1981.
5. Hegenberg, H. “Etapas da investigação científica – leis, teorias, método”. Volume 2, EPU, Ed. da Universidade de São Paulo, São Paulo, l976.
6. Langer, SK. Filosofia em Nova Chave. Editora Perspectiva. São Paulo, 1971.
7. Artaud, A. “Carta a Jacques Riviere, 6/6/1924” in “Antonin Artaud – textos 1923-1946”. Ediciones Caldén, Buenos Aires, 1972.
8. Artaud, A. “Van Gogh, o suicidado da sociedade”. Hiena Editora. Lisboa, 1987.
9. Artaud, A. “Para terminar com el juicio de dios y otros poemas”. Ediciones Caldén. Buenos Aires, 1975.
10. Todorov, T. "A arte segundo Artaud" in "Poética da Prosa", Martins Fontes, São Paulo, 2003.
11. Virmaux, A. “Artaud e o teatro”. Editora Perspectiva SA, 1978.
12. Baremblitt, G. “Compêndio de análise institucional e outras correntes – teoria e prática". Rosa dos Tempos. Rio de Janeiro, 1992.
13. Sandbothe, M. “Interatividade-Hipertextualidade-Transversalidade. Uma Análise da Internet a partir de uma Filosofia da Mídia”. Caderno de Filosofia e Ciências Humanas, Belo Horizonte. www.fafich.ufmg.br/~scientia/art_sandbothe.htm, 14/05/2005.
14. Artaud, A. “Linguagem e Vida”. Editora Perspectiva, São Paulo, 1995.
15. Carroll, L. “As aventuras de Alice”. Summus, São Paulo, 3ª ed., 1980.
16. Langer, SK. “Sentimento e Forma”, Perspectiva, São Paulo, 1980.
17. Artaud, A. “O Pesa-Nervos”. Editora Hiena, Lisboa, 1991.


Gilberto Rabelo Profeta (Brasil, 1948). Médico e escritor. Autor de Infinita Ausência (2005). Estudioso de Artaud desde 1987. Contato: gilbertoprofeta@yahoo.com.br. Página ilustrada com obras do artista Floriano Martins (Brasil).


http://www.revista.agulha.nom.br/ag47artaud.htm

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008

Riscos e possibilidades


Não gosto da unanimidade, ela me parece completamente inerte.
Mesmo que sejam verdades ditas absolutas
Até porque não creio em verdades absolutas.
Não me compadeço do que se esconde e se faz coitado
para com isso chamar atenção.
Me assumo dianto do risco de ser interpretada todos os dias.
A questão não o ser mal interpretada que seja!
A questão é o risco
e assumo meus riscos seja eles quais sejam.
Não tenho medo de sentimentos
e nem mesmo de possibilidades.
Os sentimentos eu os exploro a meu inteiro favor
E as possibilidades?
Ah essas eu abraço e transformo em puro prazer.
Por dos riscos transformados em possibilidades
O prazer me leva aos sonhos que realizo todos os dias
em forma de delírios
Sem os quais não consigo mais viver
e que são os responsaveis pelos brilho nos meus olhos
e grande vontade de viver!
Catiaho Alcantara
**Existem signos no Pensamento. Nossa atitude de absurdo e de morte é da maior receptividade. Através das fendas de uma realidade em frente não viável, fala um mundo voluntariamente sibilino.
ARTAUD, Antonin. Cartas aos Poderes. Porto Alegre: Editorial VillaMartha, 1979. (Coleção Surrealistas - Vol. 1)

terça-feira, 5 de fevereiro de 2008

Fiz as pazes com meu Mar!!!


Domingo fiz as pazes com o mar.
Na verdade esta fugindo dele porque ele nunca me engana
E quando estou diante de sua imensidão nada mais me separa de mim mesma e de seus sábios conselhos.
Passei vinte dias fugindo.
Mas aprendi que na hora certa não há como fugir.
E cedi!
Fui até ele e me deslumbrei com suas ondas
Senti sua fúria
E me rendi.
Prostrei-me a sua frente e de joelhos
Completamente entregue ouvi
E na verdade me ouvi
Me senti.
Depois elevada me senti renovar
Joguei vôlei que não fazia a 20 anos,
Me entreguei a prazeres já esquecidos
Voltei pra casa a mesma mulher
Mas dentro do peito
A voz dele ecoava forte e firme:
Força Mulher !

Como em um passe de mágica
Entendi que em 5 dias minha vida recomeça.
Adoro recomeços!
Pra quem vive encantada entre sonhos e delírios isso é fundamental!!!

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008

Dança do Viver

Minha fonte da juventude é meu estado de encantamentoe plenitude.
Se encantada e plena eu sonhos e vivo delírando.
Liberdade é meu guia...estou tomando posse de mim bem
aos pouquinhos...Liberdade é quase um estado de conciência....(que acha Diogo e Edson?)

Dança do Viver
Ahhhh encanto pra mim
É abrir os olhos com preguiça
Sair da cama assim quase que me arrastando
Pegar minha xícara de café forte
Tomar o primeiro gole devagar
Saboreando o gosto forte da cafeina quente.
E ainda assim meio que de olhos fechados
Me sentir entre meus sonhos e devaneios.
Aos poucos tomo ciência da luz do dia
Do ar que me chega do mar.
Então e só então
Levo a xicara novemente a boca
Deixo o café molhar os lábios e descer suavemente
Aquecendo todo o corpo
Agora sim, Erguo os braços em um espreguiçar gostoso...
Que acorda todo o resto do corpo.
Ainda lenta chego a janela
De onde a vida me sorri e me convida
Para essa dança frenética do viver.
Ahhh Isso pra mim é encanto...ai ai

Catiaho 17/11/07 12.24

sábado, 2 de fevereiro de 2008

Delíro

É uma bela tarde, segue sem rumo ,
por caminhar segue e caminha evocando todos o sentidos se concentra em sentir.
Sente que o pelo pede pelo, a pele pede pele, a mão pede mão,
que as coxas pedem coxas,que os pés pedem pés, que a boca pede boca,
que o sexo exige sexo e que o corpo outro corpo quer.
Nada de concreto se tem , o lugar não é só seu..
Mas...
Então nesse momento se entrega , senta na calçada , em baixo de um lindo pé de acácias
com lindos cachos amarelo e assim se encosta no tronco dessa velha e linda árvore.
Não se importa com nada ,tem a boca seca,a mente vagueia ,
não reluta mais tem que se entregar...a tarde chegará logo, não liga.
Senta, encosta ,fecha os olhos
e se entrega aos puros devaneios da mente e do corpo que ordena.
O tempo da tarde é seco ,seco como seus sentidos ,
havidos por serem atendidos e entendidos , fica assim como que inerte ,
entregue delira em pensamentos que nunca serão descritos
apenas intensamente sentido e talvez compartilhado.
Quisera que algum artista plástico se postasse ali em sua frente com tinta, pincel e tela ,
seria uma obra de arte viva mesmo que retratada apenas ,
É uma bela tarde, segue sem rumo , por caminhar segue e caminha evocando todos o sentidos se concentra em sentir.Sente que o pelo pede pelo, a pele pede pele, a mão pede mão,que as coxas pedem coxas,que os pés pedem pés, que a boca pede boca, que o sexo exige sexo e que o corpo outro corpo quer.Nada de concreto se tem , o lugar não é só seu..Mas...Então nesse momento se entrega , senta na calçada , em baixo de um lindo pé de acácias com lindos cachos amarelo e assim se encosta no tronco dessa velha e linda árvore.Não se importa com nada ,tem a boca seca,a mente vagueia ,não reluta mais tem que se entregar...a tarde chegará logo, não liga.Senta, encosta ,fecha os olhos e se entrega aos puros devaneios da mente e do corpo que ordena.O tempo da tarde é seco ,seco como seus sentidos ,havidos por serem atendidos e entendidos , fica assim como que inerte , entregue delira em pensamentos que nunca serão descritos apenas intensamente sentido e talvez compartilhado.Quisera que algum artista plástico se postasse ali em sua frente com tinta, pincel e tela ,seria uma obra de arte viva mesmo que retratada apenas , pois causaria a quem que visse um certo rubor ao imaginar em que pensava assim de olhos fechados , lábios ressecados e semblante transbordando em paz.
Não se apercebia de quanto tempo se deixa ficar ali entre delírios tais.
O que sabe é que o corpo queima, os sentidos exigem o sexo ordena.
Assim segue até que se sente um leve refrescar na pele quente ,
são pingos de uma chuvinha fina quase um carinho que trás quase um êxtase completo
como aqueles orgasmos inesquecíveis e imperceptíveis
que só quem tem esse privilegio sabe é algo íntimo e secreto.
Então um leve tremor percorrer todo corpo , como um arrepio .
É hora de ir, o delírio fica ainda rodando...
Levanta, o corpo agora molhado pelo suor das sensações,
agora misturado a água da chuva que mais forte cai.
Põe-se de pé ,
os sentidos agora totalmente despertos sentem mais que sempre,
o pelo ainda pedem o pelo,a pele ainda pede pele,
a boca ainda pede boca
e o sexo exige sexo e o corpo pede corpo ...
se deixa levar pelos pés que certamente embalando
pelos sentidos conduzirá a algum lugar
onde estes delírios possam ser de fato explorados e os desejos saciados

.Catiaho 16/11/07 12.45

Negativo e Positivo

Negativo e Positivo

O negativo no positivo reflete
Negativo e positivo se faz
Complemento real sem igual
A cor dos olhos é o ponto
Que une seres tão iguais
Na alma a calma da razão
No corpo a força da paixão
Na cama o reflexo reluz
E a cor da pele se desfaz...
se mistura...
Nessa inversão não ha contradição
As mãos se unem
Os corpos se completam
As almas se refletem
E o oposto da cor da pele ...
se desfaz
E se refaz
Sucessivamente...

Catiaho 18/03/07 13.22Pra Vini meu amigo querido

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